Listas – Melhores leituras de 2018

O primeiro post de 2019, ainda vai ser sobre 2018. Demorou, mas finalmente chegou a hora de listar as leituras que mais gostei de fazer em 2018!

Ano passado meu ritmo de leitura caiu bastante. Foi uma mistura de dedicação ao mestrado com falta de vontade de ler. No total foram 35 livros lidos, sendo que 10 deles foram HQs.  Para esse post fiz uma lista com os 10 livros que mais gostei de ler, então nesse post não vai aparecer nenhum dos quadrinhos lidos em 2018 (deixo esse tópico para um próximo post).

Os livros estão listados em ordem cronológica de leitura, a sequencia não corresponde a nenhum tipo de preferência. Mas vamos a lista de fato:

1 – Sete anos bons – Etgar Keret

Crônica é um dos meus gêneros preferidos. Comecei o ano lendo esse livro no Kindle e fiquei apaixonada. Nesse livro os temas mais frequentes são paternidade, vida de escritor, cotidiano em Israel. As crônicas são leves e divertidas. os conflitos políticos e religiosos aparecem de maneira bastante espontânea ao longo dos textos. Fiquei apaixonada pela escrita do autor, o livro “De repente, uma batida na porta”  já está na minha lista de futuras leituras.

2 – Meio Sol amarelo – Chimamanda Ngozi Adichie 

Lá no começo do Literateca falei sobre Americanah e como fiquei encantada com o livro. Mas confesso que conforme o tempo passava, meu encantamento com Americanah diminuia. Algumas coisas do livro me marcaram para sempre, mas mesmo assim minha relação com o livro mudou bastante. Além de Americanah eu já tinha lido dois livros de ensaio da autora. Quando fui ler Meio Sol amarelo, eu já esperava um ótimo livro, mas mesmo assim fui surpreendida. Esse livro é excelente. Muito mais forte e impactante do que Americanah. O livro se passa majoritariamente na década de 1960 e traz duas mulheres fortes: Olanna e Kainenne, duas irmãs gemêas que se separam por ter ideologias diferentes. O plano de fundo do livro é uma guerra civil que culmina na criação da Biafra.

O foco principal do livro são as relações familiares, mas enquanto conta sobre os conflitos das duas irmãs, seus romances, brigas com os pais e etc, a Chimamanda mostra toda a destrição, o caos e a foma na Nigéria durante a guerra civil. Fui fisgada logo no início e pra mim, foi impossível soltar esse livro. Entrou para a lista de melhores leituras da vida.

3- Ciranda de pedra – Lygia Fagundes Telles

Meu primeiro contato com a autora foi em 2017 com o livro “As meninas”. Fiquei apaixonada por esse livro e logo busquei outro livro da Lygia. Ciranda de pedra me impressionou muito. O livro fala sobre uma família de classe média, em que uma menina filha de pais separados tenta se ajustar a nova família do pai.

O que mais me impressionou no livro foi o ritmo. O livro é marcado por cenas de loucura envolvendo uma das personagens. Conforme avançamos na leitura, a loucura se torna mais presente e passamos a fazer parte de uma ciranda. Os acontecimentos e pensamentos vão ficando mais rápidos e parece que estamos girando junto com eles. Me lembrou bastante o efeito que aparece na música “Domingo no parque”. Enquanto a música consegue ter um ritmo acelerado, deixando a gente com a sensação de fazer parte da loucura de José, em Ciranda de pedra Lygia conseguiu fazer algo muito parecido mudando nosso ritmo de leitura.

4 – Senhor das moscas – Willian Golding

De longe o livro mais pesado que já li. Começa com a queda de um avião em uma ilha deserta. Por algum motivo nesse avião a maioria dos passageiros (e os únicos sobreviventes) eram crianças. A princípio eles se oganizam em uma sociedade pacífica, mas aos poucos a busca por comida faz com que alguns desses meninos conheçam a caça. Esse é outro livro com um ritmo muito marcado. Quando eu digo ritmo não é o tempo que você demora para ler o livro inteiro, mas a velocidade dos fatos, dos pensamentos das personagens (assim como em Ciranda de pedra). Os meninos passam muito rápido de um estado de ordem para um estado de completa violência e barbarie. Não tem como não ficar chocado. Comigo a experiência de ler esse livro foi tão intesa que era como se eu realmente escutasse as moscas, como se eu estivesse escondida no meio da floresta com  o Ralph.  Também entrou para a lista de melhores da vida.

5 – O morro dos ventos uivantes – Emily Bronté

Confesso que eu tinha preguiça desse livro. Comprei em uma promoção na loja Kindle e peguei para ler sem grandes pretenções. É o tipo de livro em que não gostei de nenhum personagem, senti raiva de todos em praticamente o livro inteiro, mas mesmo assim adorei o livro.  Não acho que esse seja um livro que tenha como objetivo cativar o leitor e fazer a gente se apegar ao livro e assim amar a leitura. Aqui a ideia é te incomodar e mais uma vez te jogar no meio da loucura e do caos causado por Heathcliff. Valeu muito a pena vencer a preguiça e conhecer esse livro. Me surpreendeu demais.

Acho que em 2018 eu realmente me interessei demais por livros que tratassem de loucura não é mesmo? Esse é terceiro livro seguido na lista que traz a loucura como um dos temas. 

6 – Cosmos – Carl Sagan

Acho que esse dispensa muitos comentários. Sempre fui fascinada por astronomia, já participei de muitas olimpíadas de astronomia (sempre sem qualquer sucesso).

Cosmos é um livro de divulgação cientifica que fala mais do que simplesmente sobre astronomia. Ele mistura astronomia com ciências biológicas, história, antropologia, filosofia… e tudo com um tom muito leve, sem aprofundar demais, mas também sem ser óbvio.

Na época que li o livro eu estava no meu estágio docência e aproveitei alguns trechos de Cosmos para montar perguntas na avaliação dos alunos.

7 – As últimas testemunhas – Svetlana Alexijevich

Livro enviado em Julho pela TAG. Assim que recebi comecei a ler e só soltei o livro quando terminei. Ainda não tinha lido nada da Svetlana.

Meus avós nasceram na Espanha nesse período entre guerras e vieram adolescentes/jovens para o Brasil. Eles nunca me contaram grandes detalhes da infância deles. eram sempre histórias curtas e ficava claro o incomodo deles em relembrar aquela época.

Quando li As últimas testemunhas lembrei muito da minha família. Apesar de ser em páises diferentes, eram crianças sofrendo com a guerra do mesmo jeito. Muitas histórias que ouvi de maneira superficial em casa ganharam mais sentido e isso me doeu bastante.

No app da Tag vi muita gente comentando que achou o livro demasiadamente infantilizado pois muitos adultos se referiam aos pais como “papai” e “mamãe”. Pra mim isso é muito natural, sempre ouvi meus avós e tios se referirem assim aos pais. Acho que faz parte do trauma pós-guerra. Essa infância que foi tirada deles cedo demais.

8 – O corcunda de Notre Dame – Victor Hugo

Já fiz post para esse livro aqui no blog. Apenas reforço o amor pelos livros do Victor Hugo. Em 2019 pretendo ler Os trabalhadores do mar.

9 – Uma história natural da curiosidade – Alberto Manguel

Também tem post para esse livro aqui no blog. Com certeza a melhor surpresa de 2018!

10 – Crônica do pássaro de corda – Murakami

Esse livro eu não tenho certeza se realmente deveria estar na lista de melhores leituras. Já fiz post sobre ele aqui, e eu não nego que adorei o livro. Mas colocar ele na mesma lista que os livros que citei anteriormente me parece um tanto injusto. Acho que ele entrou na lista de melhores leituas de 2018 por três motivos: foi minha última leitura concluida em 2018, eu tive vontade de ler esse livro por causa do livro Linha M da Patti Smith e por fim, esse ano foi um ano de poucas leituras. Apesar de ter lido coisas muito legais, os livros que ficaram de fora dessa lista de melhores leituras realmente foram livros que não me marcaram. Tavez “A praça do diamante” merecesse aparecer no lugar de Crônica do pássaro de corda, mas no fim acho que os dois me marcaram com a mesma intencidade. O critério de desempate nesse caso foi a Patti Smith mesmo.

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