A insustentável leveza do ser – Milan Kundera

Hoje é dia de falar do livro com um dos títulos mais bonitos que já encontrei por ai: A insustentável leveza do ser. Acho que só pelo título a gente já se sente um tanto encantado por esse livro, já desperta uma curiosidade enorme de saber sobre o que fala um livro com título tão intenso. Além de ser curiosa por causa do título, eu tinha bastante vontade de ler esse livro porque ele é desses que todo mundo já tinha lido menos eu, e todo mundo ama muito.

Esse livro já me ganhou pelo simples fato de se passar entre os anos 60/70,  e eu já falei aqui que eu tenho uma quedinha por essas décadas (se você também sofre desse mal, recomendo fortemente o post sobre Só garotos da Patti Smith). A história se passa em Praga e nós vamos acompanhar a vida de 4 personagens: Tomas, Tereza, Sabina e Franz.

A grande graça desse livro é que o Kundera faz um eterno jogo com as perspectivas de cada personagem. Pelo menos o que realmente me marcou e me prendeu no livro, foi conhecer a visão de mundo de cada um deles. O Kundera vai esmiuçando como cada um encara a situação de Praga na época, como eles se enxergam, as expectativas amorosas e como cada um enxerga o outro.

Enquanto Tereza registra a Primavera de Praga em suas fotos e foca na rebeldia das mulheres de mini saia na frente dos soldados da URSS, Sabina tende a se afastar dessa realidade e Franz olha para toda a revolução com muito romantismo, admirando cada detalhe da luta e a força da cultura daquele povo.

Apesar de ter esse pano de fundo da Primavera de Praga e de mostrar muito da  perseguição aos intelectuais, da produção cultural, da arte, da fotografia, pintura e etc., o assunto mais frequente no livro são as relações amorosas.

Se você espera um amor muito idealizado, muito redondinho e romântico, acho que você pode quebrar um pouco a cara. Aqui as relações são bastante reais, cheias de problemas, cheias de choques entre o que cada um espera do parceiro, com infidelidades, brigas e também com muito sexo.

As cenas de sexo são muito frequentes nesse livro e o sexo é tratado sempre de maneira muito natural, mostrando que é só mais uma parte da vida daquelas pessoas, mais um momento da rotina delas. Não são cenas de romanção de banca, com uma erotização mais forte e apelativa. Aqui a ideia é mostrar esse lado das relações das personagens, como cad um mensura a importância do sexo e vive essa experiência. Para Tomas o sexo é diferente do amor, é uma necessidade dele, é uma coisa que move e deixa ele constantemente curioso. Pra Tereza o ato sexual já tem muito mais a ver com uma forma de expressar o amor dela pelo parceiro e de se conectar com quem ela ama.

Esse é um livro bastante difícil de comentar aqui no blog porque é um livro que fala sobre muitos sentimentos e muitos assuntos diferentes. As personagens vão amadurecendo e passando por várias experiências diferentes e o tempo todo a gente acompanha como um acontecimento parecido pode afetar as pessoas de maneiras e intensidades tão diferentes.

Eu não amei tanto o livro quanto muitos amigos meus amam, mas foi com toda certeza um livro que deixou sua marca. A narrativa tem muitos detalhes sutis e eu tenho certeza que nessa primeira leitura eu deixei muita coisa pra trás. Acho que esse é um daqueles livros que vão crescendo em você com o tempo e que mudam muito com as releituras. A experiência de leitura dele é tão forte que mesmo depois de concluir a leitura o livro continua com você, você continua pensando no que as personagens conversaram, em como elas se comportaram em determinada situação e como você lidaria com tudo o que acontece no livro.

Teve algumas coisas nesse livro que eu achei que foram meio forçadas, não encaixaram direito e até achei algumas cenas meio apelativas. Eu me incomodei bastante com algumas coisas se repetirem ao longo do livro todo (principalmente dentro do núcleo Tereza e Tomas), mas mesmo assim eu gostei bastante da leitura. Eu não quero pontuar exatamente o que me incomodou no livro por motivos de spoiler, mas se alguém aqui já leu e quiser conversar a respeito, eu acho ótimo!

A insustentável leveza do ser faz parte da coleção Companhia de bolso e tem 312 páginas bastante fluidas.

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5 comentários sobre “A insustentável leveza do ser – Milan Kundera

  1. Oi Na! Eu li esse livro na adolescência e gostei demais! Caí na besteira de reler ano passado e não gostei hahah Tanto a história e a escrita me incomodaram muito na releitura! Acho que me tornei uma leitora mais crítica ou só uma pessoa mais chata mesmo hahah De qualquer forma, linda resenha como sempre! 🙂 Bjo!

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    1. Mas olha que eu tenho uma teoria hahaha eu achei que esse livro funciona melhor quando a gente é mais novo e ainda conhece menos das pessoas. Todos os meus amigos que amam muito o livro são mais novos que eu ou leram quando adolescentes e tal, talvez no caso do Kundera a nossa bagagem pessoal pese muito na nossa experiência literária. Eu gostei do livro, mas eu impliquei com muita coisa e acho que o que eu mais gostei mesmo foi a parte politica sobre a situação de Praga.

      Beijos ♥

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  2. Milan Kundera escreve de um jeito muito singelo e melancólico sobre as experiências cotidianas, principalmente as cenas de sexo, como você tão bem mencionou. Sempre que leio um livro dele, saio com a sensação de que meu dia-a-dia tem muito mais camadas do que sou capaz de perceber.
    Ótima resenha.

    Um beijo,
    Ruh Dias
    perplexidadesilencio.blogspot.com

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  3. Na, sua incrível! Estou encantada demais com essa resenha e veio em uma hora sensacional! Acabei de ficar ‘livre’ para uma nova leitura e esse título estava em uma wishlist antiga. Que lembrete mais lindo, viu? Obrigada por destrinchar de maneira tão incrível o quanto essa obra é repleta de reflexões, críticas que impulsionam autoconhecimento e demais implicitudes. Fiquei me perguntando o quanto essas repetições que você citou não foram intencionais, assim como o ritmo de uma poesia… talvez sejam, justamente, para que nelas possamos encontrar os detalhes mais minuciosos de diferenciações e/ou igualdades que, no fundo, não são saudáveis. Enfim, até os pontos de críticas construtivas que trouxe me deixaram ainda mais curiosa para conferir. Adorei os seus balanceamentos!

    http://www.semquases.com

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  4. Olá, Na! Eu li o livro em duas oportunidades, uma em 2012 e nessas últimas semanas aproveitei para ler novamente. Na primeira vez, eu fiquei bastante impressionada e, assim como você falou, os personagens ficaram na minha mente durante um tempo. Inclusive, assisti ao filme e entrei no universo do autor. Já na releitura, minha opinião mudou muito. Acho que com as vivências da vida adulta, os dramas dos personagens se tornam tão próximos de nós que não nos chocam mais. Mas ainda é uma boa leitura para quem está interessada em se aprofundar nos livros. É a primeira vez que comento aqui e gostei muito do seu espaço. Abraço.

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