Os Miseráveis – Victor Hugo

No começo desse ano, o primeiro post do blog foi convidando todos a participar da leitura coletiva de Os Miseráveis. Na época eu me iludi e achei que eu ia manter um ritmo constante de leitura e por isso ia funcionar fazer alguns diários de leitura por aqui, mas não foi nada disso o que aconteceu. O plano era terminar a leitura em abril e eu só fui concluir em julho.

Os Miseráveis entrou facilmente para a listinha de melhores livros do ano, do mês, da vida, de tudo.

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Eu acho que o contexto geral da história já é bastante conhecido, até mesmo por existirem tantos musicais, mas conhecer a história desse livro não diminui a emoção que o leitor sente durante a leitura.

Fazer um post falando sobre qual é a história do livro, não faz muito sentido pra mim. O que eu queria deixar aqui são os motivos para o livro ter me marcado tanto, o que faz dele tão especial e reforçar o conselho que todo mundo que já leu Os miseráveis não cansa de dar: leiam esse livro!

O que eu mais gosto em livros clássicos é essa sensação estranha de ler uma obra escrita há tanto tempo, mas que continua fazendo muito sentido. Lógico que algumas coisas se perdem, nossos valores, cultura e hábitos sempre mudam um tanto com o passar do tempo, mas tem muita coisa que a gente continua vivendo, principalmente quando são problemas.

Os miseráveis é um livro extremamente necessário e que emociona demais justamente por mostrar lados muito duros da nossa sociedade e da alma humana. É sobre a pobreza, sobre a marginalização de parte da população, é sobre passar fome, é a miséria de precisar roubar pão, de ter que fazer trabalhos forçados, a miséria da guerra, de se ser humilhado, é a nossa ganância, o nosso preconceito, a nossa visão fechada, a falta de sensibilidade na hora de entender o outro.

O livro traz um leque enorme de personagens, cada um com uma experiência de vida, uma visão de mundo muito particular. Alguns são extremamente inescrupulosos, como os Thénardier que sempre  tentam tirar vantagem das situações, sempre estão envolvidos com algum crime e tem uma estrutura familiar bem dura, outros são muito doces e cheios de bons sentimentos, como o Bispo que acolhe o Jean-Valjean logo no começo da história, ou a Fantine que sempre se sacrificou pensando em dar uma vida melhor para a filha. Outros personagens trazem uma bagagem muito grande, o próprio Jean-Valjean que nunca se sente realmente confortável, parece que ele nunca se encaixa, o Gavroche que acabou crescendo na rua e aprendendo a se virar sozinho. O Marius que vem cheio de ideais, sempre carrega um peso de querer honrar o nome do pai. Cada um tem sua miséria, sua dor, e cada um faz com que o livro ganhe uma força absurda.

A maneira como o Victor Hugo amarra a história é muito impressionante. Absolutamente nada aparece por acaso.

O livro é recheado de digressões. Várias vezes o Victor Hugo pausa a história principal e começa a contextualizar e explicar como era a França da época. Ele fala com detalhes como eram as ruas, as casas, o momento histórico. Em alguns momentos esse tanto de digressões chega a ser bem cansativo, mas também são essas digressões que deixam o livro tão incrível. A impressão que eu tinha no começo é que ele quebrava o meu ritmo de leitura. Eu tava super empolgada devorando o livro e do nada ele parava tudo pra falar sobre a batalha de Waterloo. E ai parece que não tem porque, que foi um corte muito brusco, mas aos poucos os personagens da batalha se misturam com os personagens do livro e a gente volta pra narrativa principal de uma maneira muito natural. E todos aqueles detalhes acabam fazendo muito sentido no livro.

O envolvimento que o leitor tem com cada personagem é muito forte e não só porque o livro é um calhamaço enorme e a gente passa muito tempo lendo, mas o Victor Hugo faz com que o leitor mergulhe na alma de cada personagem e entenda as motivações pessoais e os conflitos de cada um deles. A gente se apega a todos os personagens, mesmo aquelas que mal aparecem. Todos eles acrescentam muito a história. Além disso a narrativa vai crescendo aos poucos e o leitor é preparado o tempo todo para a parte que eu considerei o ponto alto, que é a revolução de 1832.

Eu passei muitos meses lendo esse livro, eu tive um período bem longo de ressaca literária e eu não conseguia encostar muito nele, mas chegou um ponto do livro que era impossível parar de ler.

Tem muita coisa que eu tenho certeza que eu não entendi desse livro. Apesar de ter muitas notas de rodapé e o Victor Hugo explicar muito sobre a França da época, muita coisa eu sei que passou batido. Mas isso não me incomoda. Eu não acho que a gente precisa entender tudo dos livros. O mais importante pra mim é o que o livro desperta em você e não o que você entende da leitura. 

Ler Os miseráveis é uma experiência única e muito maravilhosa.

Existem várias edições diferentes por ai, mas eu recomendo que você procure uma com bastante notas de rodapé, porque elas ajudam DEMAIS!

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A edição que eu li foi a da Cosac Naify com 1972 páginas.

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3 comentários sobre “Os Miseráveis – Victor Hugo

  1. gostaria de receber livros gratuitos pois amo ler e fazer contação de historias para crianças e adultos , mas moro numa favela e aqui muita criança e adulto estão se perdendo nas drogas e gostaria de estar podendo fazer um trabalho por aqui mesmo.

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