Livros que te transformam como leitor: A Marca na parede – Virginia Woolf

Esse ano a Francine do blog e canal Livro&Café criou um clube de leitura das obras da Virginia Woolf no facebook. Eu já fiz um post aqui no blog falando sobre esse clube, como ele funciona e tudo mais. E foi por causa desse clube que eu li o livro de coletânea de contos A marca na parede.

Eu ainda não conheço quase nada da obra da Virginia, até então eu só tinha lido Orlando, Um teto todo seu e estou degustando muito lentamente o livro de ensaios O valor do riso. Lá no facebook surgiu a ideia de começar as leituras pelos contos pra ir mergulhando aos poucos nesse mundo da Virginia. A ideia era ler dois contos, mas como eu comprei o e-book, por que não ler todos os outros não é mesmo?

O livro reúne contos que a Virginia escreveu entre 1917 e 1941. O primeiro conto é o que da nome ao livro e com toda certeza foi o meu conto preferido.

Eu já acho muito difícil falar aqui no blog sobre um livro de contos, mas A marca na parede consegue ser ainda mais difícil.

Não sou acostumada a ler contos. Tenho uma certa dificuldade para me envolver e absorver aquelas historias curtinhas. Eu demorei bastante para me acostumar com o estilo do livro A marca na parede e confesso que a leitura só funcionou comigo por causa do clube de leitura no facebook.

Sou muito acostumada a esperar que os livros, ou qualquer historia que eu leia, se foque nas personagens. Eu sempre espero que os autores se aprofundem e me passem vários detalhes da personalidade e da vida de cada personagem. Essa expectativa acabou atrapalhando muito a minha experiência com vários contos da Virginia. Nem sempre a Virginia quer detalhar um personagem. Muitas vezes ela dava um foco muito maior para o ambiente, ou para algum detalhe do cotidiano.O conto Kew Gardens, por exemplo, é muito mais sobre o parque e a paisagem, do que sobre as pessoas que frequentam o parque. Esse foi um dos contos que discutimos no grupo e a Fran até comentou que esse conto é como se fosse um quadro expressionista. Foi depois desse comentário da Fran que o livro fez mais sentido pra mim e a leitura fluiu melhor. Vários contos são exatamente como olhar um quadro, é a mesma sensação de ficar imaginando como estava aquele dia de verdade, prestar atenção na paisagem, imaginar o que aquelas pessoas estavam conversando, sentir como se você fizesse um pouquinho parte daquele quadro também e depois se afastar completamente e passar para o próximo quadro. Isso fez sentido? Não sei, mas foi assim que eu me senti com vários contos desse livro.

Ainda não me sinto muito capaz de falar sobre sobre os livros da Virginia Woolf. Toda vez que eu pego um livro dela eu me deparo com uma literatura completamente diferente do que estou acostumada. Ela sempre me força a sair da minha zona de conforto e me obriga a aprender a olhar os livros e para a literatura em geral por um outro ângulo. Por enquanto essa tem sido a grande graça de ler os livros da Virginia pra mim. Ela sempre me surpreende muito. nem sempre é uma leitura fácil, mas a experiência é sempre muito gostosa e muito positiva.

O livro é dividido em três períodos,  1917-1921, 1922-1925, 1926-1941. Na segunda parte do livro a maior parte dos contos envolvem os personagens de Mrs. Dalloway. O grande problema é que agora eu estou morrendo de vontade de ler Mrs. Dalloway. Eu praticamente estou ouvindo o livro me chamar.

Acho que esse post não fez muito sentido, mas realmente é bastante dificil falar sobre todos os sentimentos que esse livro trouxe e explicar o quanto essa leitura me transformou como leitora.

A marca na parede e outros contos está disponível no Kindle Unlimited. São 278 páginas e duvido que você continue o mesmo leitor depois de ler esse livro.

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5 comentários sobre “Livros que te transformam como leitor: A Marca na parede – Virginia Woolf

  1. Achei super interessante suas observações… não conheço os contos dela, mas tenho a impressão de que também não sou habituada com esse tipo de leitura, geralmente foco mais na descrição de outros aspectos, principalmente, dos personagens mesmo, como você mencionou…
    Mas não custa tentar e experimentar algo novo, né? Valeu a dica!

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