Caderno de um ausente – João Luís Anzanello Carrascoza

Provavelmente você já viveu aquele sentimento de frustração que vem quando você termina de ler um livro que todo mundo adora e você só consegue pensar “Reeaaalllyyy? É sério mesmo que todo mundo ama tanto esse livro?”

Há um tempo atrás teve um certo hype em cima desse livro e todo mundo que lia só falava maravilhas sobre o quanto o livro é poético, sensível e bonito. Quando a Cosac Naify anunciou que ia fechar as portas vários blogs fizeram listas de livros imperdíveis do catálogo da editora, e muitas vezes eu via esse livro nas listas. Por mais que todo mundo falasse bem do livro eu sempre deixava ele de lado na hora de comprar novos livros da Cosac, tinha alguma coisa nessa poesia toda dele que não me convencia. Mas em um belo momento da vida a Amazon fez uma promoção com e-books da Cosac por 10 reais e eu acabei comprando o Caderno de um ausente.

Pois é, não rolou.

Esse livro tem uma ideia um tanto diferente, ele não é exatamente uma carta,  não tem como definir ele de outra forma que não seja um diário, ou qualquer outro tipo de caderno de pensamentos, em que um homem que se torna pai novamente aos 50 e tantos anos, escreve para a filha recém nascida alguns ensinamentos que ele gostaria de deixar para ela.

Eu não consegui me sentir tocada pelas palavras desse pai em momento algum. Na verdade eu achei um tanto dramático demais. Em alguns momentos eu ficava com a impressão que esse pai ia morrer a qualquer momento e a filha nem ia ter tempo de conhece-lo.

Toda aquela promessa de um texto poético, cheio de ensinamentos bacanas, me encheu de expectativa. Eu esperava um texto poético no estilo Valter Hugo-Mãe, por exemplo, metaforas bonitas, uma poesia sutil e que mesmo assim te toca. Mas sinceramente eu achei o livro muito carregado de frases de efeito e eu me senti lendo uma versão mais adulta de O pequeno príncipe. E quando eu digo mais adulta, é por que em O pequeno príncipe nós temos a visão que uma criança tem do mundo, como ela enxerga os adultos e seus problemas. Em Caderno de um ausente é um adulto, falando sobre o mundo dos adultos, com a visão de um adulto, para uma criança.

Eu queria muito mesmo ter gostado, mas só consegui achar o livro excessivamente dramático, repetitivo e bem sem graça. O autor tem seu mérito, o livro é bem escrito, tem uma estrutura bacana, a ideia é bem legal, mas eu não gostei do desenvolvimento.

Eu fiquei com a impressão que o livro queria muito forçar o leitor a se emocionar e tentou de tudo pra arrancar uma lágrima que fosse.

Comigo o livro não funcionou. Eu achei que ele tem várias passagens bastante desnecessárias, principalmente o final.

Se você ainda não leu esse livro e tem ele ai encostado na estante, eu não escrevi esse post para te desmotivar completamente. Cada leitor funciona de um jeito. A nossa experiência de leitura é uma coisa extremamente pessoal. A maioria das pessoas se sente muito tocada por esse livro, mas eu não consegui ver o motivo.

Definitivamente se você ainda quer comprar algum livro, seja físico ou e-book, da Cosac, eu não recomendo esse livro. Tem vários outros muito mais interessantes que ainda estão disponíveis.

Se você gostou do livro, deixa ai nos comentários como foi a sua experiência. Quem sabe eu consigo ver outro ponto do livro?

Caderno de um ausente foi publicado pela Cosac Naify e são 128 páginas de literatura nacional contemporânea, mas que dessa vez eu não recomendo.

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