Sempre gosto mais dos livros tristes

Várias vezes quando comento sobre algum livro que estou lendo, ou que já li e gosto muito, escuto a frase “nossa, mas você só gosta de livro triste, cheio de tragédia”. Quando vou escolher um livro na estante  eu não fico pensando “hmm qual será mais triste?”, mas também não posso negar que eu realmente prefiro livros um pouco mais pesados.

Não é que eu não gosto de historias felizes e bonitinhas. As vezes é bom ler coisas que lembrem o lado fofo do mundo. Mas são os livros tristes  que mais me marcam.

E eu não estou falando de drama por drama. De historias com situações muito apelativas só pra fazer o leitor se emocionar. Se você gosta desse tipo de livro tudo bem, cada um tem seu gosto e não tem nada de errado nisso. Mas o que eu quero falar é de outro tipo de livro triste.

Por exemplo, meus quadrinhos preferidos são Maus e Daytripper. Os dois são lindos, mas não da pra falar que são histórias felizes não é mesmo? Olhando meus livros preferidos l[a no skoob a situação não é muito melhor. 1984, Ensaio sobre a cegueira, A desumanização, Na pior em Paris e em Londres, Anna Karenina e Grande sertão: Veredas, são alguns exemplos. Esses livros podem não ser exatamente tristes ou pesados (e por pesados eu me refiro a situações de guerra ou violência, tipo o 1984 ou o Laranja Mecânica), mas todos eles tem uma certa melancolia.

O que eu gosto nesses livros é que eles deixam de lado toda a romantização do mundo e mergulham fundo na condição humana.

Esses livros mostram alguns lados nada bonitos das pessoas, cheios de conflitos e dor. Mostram uma sociedade cheia de problemas, mostram a nossa podridão, as nossas dúvidas e fazem o leitor se questionar o tempo todo.

Os livros mais tristes e pesados não têm medo de jogar a verdade na sua cara e te dar um tapa ou soco inesperado em cada virar de página. Eles existem pra incomodar mesmo. Mas é nesse incomodo que a gente pára para refletir sobre como compreendemos os nossos sentimentos, sobre a nossa essência e como enxergamos o mundo.

São esses livros que mais marcaram minha vida de leitora porque foram os livros que mais me transformaram. Eu acho que a gente tende a aprender mais com os momentos introspectivos.

São esses livros que deixam a gente mais sensível, aumentam a nossa empatia e ajudam a gente a compreender um pouco melhor as outras pessoas. Esses livros conseguem nos tirar da nossa bolha e fazem a gente enxergar o mundo com outro olhar.

Eu gosto mesmo de livro que disseca a alma humana e a sociedade. São as leituras que ficam na minha cabeça por mais tempo, que eu demoro para digerir tudo que li e que eu mais tenho vontade de guardar citações. E de tempo em tempo me da saudade de reler, mesmo que só algum trecho específico.

Talvez esse meu gosto seja um reflexo da minha personalidade. Acho que eu trago também um tanto de melancolia, um tanto de ficar remoendo as situações, eu gosto de ficar refletindo muito. E eu também gosto muito de situações que me deixam desconfortáveis no sentido de me fazer pensar por um ângulo que eu não considerava seja lá por qual motivo for.

É claro que é uma delicia ler um livro mais feliz e que te traz vários sentimentos positivos e renova sua esperança no mundo. Eu também gosto de leituras mais alegres, como é o caso do Valente, ou os livros do Vinicius de Moraes, mas o sentimento que eu mais busco na literatura não é esse sentimento mais fofo.

O objetivo desse post é fazer uma reflexão sobre o que buscamos nos livros. O que nos faz gostar de um livro do que de outro? Qual é o sentimento que predomina nas suas leituras?
Não tem nada de errado em gostar de uma melancolia, assim como não tem nada de errado em procurar uma distração, uma história que te deixe mais alegre, o importante é saber que tipo de leitura te da prazer, e definitivamente eu gosto mais dos livros tristes.

 assinatura

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12 comentários sobre “Sempre gosto mais dos livros tristes

  1. “Todas as famílias felizes são iguais. As infelizes o são cada uma à sua maneira.”

    Adorei o post e me identifiquei muito com suas opiniões. Também tenho preferência por livros mais complexos, que sempre acabam sendo os de história mais dramática, cunho mais pesado, enfim, os que propõe uma reflexão e deixam um sentimento permanente na gente. Aproveitando o comentário da Laura Cruz, não gosto muito de romances, mas meu preferido é O Morro dos Ventos Uivantes justamente por sua carga dramática e pelos personagens nada admiráveis.

    Beijos, Vickawaii
    http://finding-neverland.zip.net

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  2. Eu também gosto mais de livros e filmes tristes, pesados. Eles mexem mais comigo. Gosto de histórias que me fazem sentir alguma coisa forte e normalmente são histórias tristes e pesadas que fazem isso. Tristeza, raiva, indignação, ou muito amor e felicidade, desde que mexa com sentimentos. Quero morrer chorando, morrer de raiva ou ficar com a barriga doendo de rir. Tem que provocar alguma coisa forte. E eles acabam sendo os livros que marcam…
    Mas às vezes escolho de propósito algum livro/filme bem levinho, bem água com açúcar, pra dar uma aliviada na vida…
    Beijos, gostei do post.
    Rafa

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  3. …sei como é, tbm tenho esse pezinho em achar beleza na tristeza, fazer o que né…amooooo…beijos linda, seu blog é lindo e super bem escrito, parabéns!

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