Ficando longe do fato de já estar meio que longe de tudo – David Foster Wallace

Com um título de livro desse tamanho eu nem consegui colocar mais nada no título do post.

Eu adoro ler não ficção. Apesar de geralmente ler romances, eu amo pegar um livro de crônicas ou ensaios. Não me dou tão bem com biografias puras, mas também gosto. E por sentir saudade de ler não ficção e também por curiosidade de saber como é a escrita do David Foster Wallace, resolvi ler Ficando longe do fato de já estar meio que longe de tudo.

Em 2015 eu fiquei muito animada para ler Graça infinita. Não tem como não se impressionar com aquele livro gigantesco. Mas aos poucos a empolgação foi caindo, caindo e o que sobrou foi uma parte bem racional. Vamos ser realistas, pegar um livro de mais de mil páginas, sendo que você não sabe ao certo sobre o que se trata e nem conhece a escrita do autor é um risco muito grande e esse também não é um livro muito barato não é mesmo? Então achei melhor ir com calma e primeiro descobrir quem foi o DFW.

O livro tem 6 ensaios. Na verdade um dos textos do livro (Isto é agua) é um discurso de quando o DFW foi paraninfo e os outros são uma mistura de reportagem com crônicas, e fica tudo meio complicado de definir.

O livro começa com o texto que dá nome ao livro, em que o autor fala sobre sua experiência em uma feira agrícola. E ele fala sobre absolutamente todos os detalhes, desde como ele se sentiu sendo parte da imprensa que cobria o evento, o que ele pensava das pessoas que frequentavam a feira e também das que estavam ali trabalhando, quais eram as atrações, as comidas…enfim, ele fala sobre tudo mesmo. No começo foi bem divertido por ser uma realidade bem diferente da minha e como o texto é bem detalhado é como se você vivenciasse tudo com o DFW. Mas aos pouco foi perdendo a graça e se arrastando.

Eu tive um sentimento parecido, só que muito mais intenso, no segundo texto, em que ele narra uma viagem em um cruzeiro de luxo. A ideia era ele escrever um ensaio com um tom de propaganda. Ele vai contar desde o convite, os detalhes do navio, as refeições, a cabine em que ele dormia, a interação dele com os outros passageiros e tudo mais que você imagine.

Todos os textos do livro tem um tom bem humorado e em momento algum a leitura é dificil. Eu achei o livro um tanto cansativo porque meu interesse na leitura oscilou muito.. Além de ter muita informação que eu não me interessei, muito detalhe dispensável e algumas vezes até achei que ele se repetia, o que foi muito cansativo foram as intermináveis notas de rodapé. No texto sobre o navio ele narra por tanto tempo a relação dele com alguns passageiros nas notas que é quase outro texto separado, praticamente um anexo e não uma nota. Algumas nodas são bem divertidas, mas muitas delas foram muito cansativas e eu não senti que fez uma diferença considerável na experiência de leitura.

Eu gostei dos dois primeiros textos, mas achei que tinha muita informação que se não estivessem ali não ia fazer muita diferença. Os outros textos do livro são bem legais. Gostei bastante do discurso dele de paraninfo e de um texto em que ele fala sobre uma feira gastronômica e começa a refletir sobre se realmente é ético ou não a gente comer lagostas. Ele fala sobre aspectos biológicos do animal, sobre o preparo dos pratos, sobre o sofrimento das lagostas. É um texto bem bacana, cheio de informações interessantes e que te convida a refletir junto com ele.

O ultimo texto do livro é sobre o Federer e eu não consegui gostar muito porque eu não me interesso nem um pouquinho que seja por tênis, então sou suspeita para opinar sobre esse texto.

A minha opinião geral do livro é que foi uma experiência bacana, eu gostei do humor dele, gostei de muitas coisas que ele escolhia destacar no texto, mas achei cansativo. Acho que os dois primeiros textos me traumatizaram um pouco e a quantidade e o tamanho das notas de roda pé também. Eu dei uma desanimada do autor, apesar que ainda tenho uma certa curiosidade para ler outro livro dele de ensaios, mas nada pra agora, não fiquei nada ansiosa por mais DFW. Agora definitivamente minha vontade de ler graça infinita diminuiu muito! Diria até que não tenho mais vontade de ler esse livro, pelo menos não por enquanto, quem sabe daqui uns anos? Mas com toda certeza vocês não vão ver outro post sobre algum livro do Davd Foster Wallace por aqui tão cedo.

Mas se você gosta de não ficção, ou se está procurando uma leitura bem humorada para intercalar com leituras mais densas, ou se você quer ter uma experiência de leitura diferente, eu indico sim esse livro. Quem sabe você pode ser um tipo de leitor que se da melhor com o estilo do DFW não é mesmo? E não desanimem do livro caso também considerem que os primeiros textos são muito maiores do que precisava. Vale mais a pena pular as notas de roda pé, do que pular partes dos ensaios ou deixar de ler algum deles (bom, pelo menos comigo foi assim).

Muita gente se anima mais com o livro por causa do prefácio do Daniel Galera, que por sinal foi quem traduziu o livro. Vi muita gente na internet comentando que esse prefácio deixou a leitura muito melhor, mas não mexeu muito comigo não. A unica coisa que o Daniel Galera me cativou foi que ele também traduziu o livro Os mil outonos de Jacob de Zoet, e eu li os dois livros na mesma época.

Ficando longe do fato de já estar meio que longe de tudo tem 312 páginas e foi publicado pela Companhia das Letras.

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