12 meses com Poe e Borges #1

Janeiro foi o primeiro mês dos projetos 12 meses com Poe e Lendo Ficções. Já falei um pouco sobre os projetos literários nesse post e também criei páginas separadas aqui no blog falando com mais detalhes sobre cada projeto.

Para Janeiro o plano era ler o conto Metzengerstein do Poe e Tlön, uqbar, orbis tertius do Borges. A minha expectativa era que eu ia gostar da experiencia de ler os dois contos sim, mas que eu ai surtar e adorar Poe e ia ficar meio perdida em Borges. E o meu sentimento no final das leituras foi “e não é que fomos surpreendidos novamente?”.

Não vi muita graça nesse primeiro conto do Poe, ele ficou bem indiferente pra mim, mas minha cabeça explodiu e eu amei o conto do Borges. Quem diria?

POE1

Esse foi meu primeiro contato com o Poe, então eu estava bem ansiosa e bem empolgada e acho que eu fui com muita sede ao pote.

Metzengerstein é um conto bem curtinho sobre duas famílias rivais. O conto trata da morte das duas famílias, ambas incendiadas e o aparecimento de um cavalo diferente de qualquer outro. Essa foi uma explicação MUITO porca do conto. Mas a minha ideia não é reescrever o conto com as minhas palavras, isso seria bem sem graça. O que eu realmente quero passar aqui é a minha experiência, então vamos lá.

O que não me agradou no conto é que ele não me surpreendeu em nada. Como o conto foi muito curtinho, não deu tempo de vivenciar de fato a escrita do Poe, de descobrir um novo mundo ou coisa assim. Não me surpreendi com o sobrenatural da história. O momento em que o cavalo surge misteriosamente, a forma como ele se relaciona com as duas famílias, a vingança… nada disso me envolveu e nem me convenceu muito. Talvez não fosse o meu momento certo de ler o conto, ou talvez fosse expectativa demais, mas acabei achando bem sem sal. Mesmo lendo sobre o conto na internet, nada me fez olhar para Metzengerstein e pensar que realmente foi uma leitura que valeu a pena. Mas ainda não li o conto de Fevereiro, então ainda estou esperando ser surpreendida e conquistada pelo Poe.

Borges1

Enquanto Poe passou como se nada fosse nada, Borges me deu uma bela chacoalhada.

Já comentei que Borges é um autor que eu tinha muita curiosidade, mas muito medo também. Sempre que vejo alguma coisa sobre ele é sempre alguém comentando que foi uma leitura difícil e isso me travava muito. Mas resolvi abrir a mente e me desafiar um pouco, em doses homeopáticas, e começar a ler alguma coisa do Borges.

 É muito dificil falar sobre esse conto. Primeiro porque ele é bem maior que o conto do Poe, segundo porque tem muita informação em um conto só. Ele começa com um tom de não ficção, com o Borges falando sobre uma conversa com o Bioy, em que o amigo cita um verbete e quando eles vão procurar sobre o assunto em uma enciclopédia eles não encontram nada. Basicamente o conto fala sobre Borges e Bioy descobrindo novas enciclopédias sobre um continente (Uqbar) e uma cultura desconhecidas, que depois de muito estudo se revela um novo planeta (Tlön).

Eu amei muitas coisas nesse conto. Eu amei esse comecinho com cara de ensaio, de não ficção e como aos poucos ele vai puxando para o fantástico. Tudo aparece de forma muito natural, chega um determinado ponto da leitura que você realmente acredita que Tlön pode existir. Outra coisa que eu amei é que vai esmiuçando a cultura de Tlön e me lembrou um tanto Fundação do Assimov. Pode ser uma viagem muito grande da minha parte? Lógico que sim! Mas lembrou muito. Tlön é um mundo muito organizado em que as coisas existem porque as pessoas pensam que elas existem. Parece meio confuso, mas durante a leitura tudo faz muito sentido. Tudo em Tlön é muito redondo, muito bem construído. Em um determinado momento são descobertos nos EUA 40 volumes de uma enciclopedia sobre Tlön e as pessoas ficam alvoroçadas por tudo que se fala sobre esse novo mundo. Aos poucos as leis, os objetos e tudo mais que faz parte de Tlön começa a fazer parte da nossa realidade e com base nisso Borges começa a prever o fim da Terra. Essa é a parte mais intensa e mais fantástica do conto e  me lembrou um pouco o universo do Assimov. O fato de prever o fim da Terra como conhecemos (ou de tudo o que corresponde ao domínio humano, no caso do Assimov), o fato de ter um outro planeta movido pela lógica, todo construido e bem organizado, foram detalhes que me lembraram muito Fundação. E o detalhe que mais me lembrou Assimov é que mais para o final do conto ficamos sabendo que no passado alguém, que não se sabe quem, organizou uma sociedade secreta formada por vários especialistas de muitas áreas diferentes. Tinha cientistas, historiadores, antropólogos, geólogos, enfim todas as áreas possíveis, e essa sociedade secreta era a Orbis Tertius e o objetivo inicial deles era se isolar em um novo país, só deles, e escrever uma enciclopédia. Se isso não te lembra Fundação é porque você não leu a série.

Eu achei a escrita do Borges muito gostosa. O conto foi sim muito denso e eu acho que eu nem entendi ele totalmente, mas foi uma leitura deliciosa. Eu achei muito divertido ler esse conto e gostei mais ainda quando eu comecei a relacionar com Fundação. Acho que meu medo de ler Borges passou e eu já estou encantada e super empolgada com os próximos contos.

Acho que ficou bem nitido que por enquanto eu tenho gostado muito mais do Borges né? Mas ainda temos 11 meses para descobrir mais sobre os dois autores.

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