Quantas vezes você já morreu na sua vida? Daytripper; Fábio Moon e Gabriel Bá

E ainda no combo trocas que eu fiz no sebo, hoje é dia de falar de Daytripper. Assim como Valente, esse é outro quadrinho que muita gente já tinha me recomendado, muita gente na internet falava que era uma experiência intensa e tudo mais, mas ninguém me convencia muito que realmente valia a pena ler esse quadrinho. Quando cheguei com Daytripper no caixa do Sebo o dono fez milhares de elogios, disse que não podia ter escolhido melhor e me falou muito bem sobre o trabalho do Fábio Moon e do Gabriel Bá. Já sai de lá mais animada e segura com a troca.

Eu nunca tinha lido nada dos gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá e esse ano o lançamento da HQ Dois Irmãos, pela Quadrinhos da Cia, foi bem barulhento e me deixou morrendo de vontade de ler essa graphic novel. Na verdade eu ainda estou me corroendo de vontade, mas como ainda não li o livro eu fico usando isso de desculpa para não ir atras do quadrinho Dois Irmãos. A questão é que todo esse falatório sobre esse Dois Irmãos e sobre o Fábio Moon e o Gabriel Bá fez com que eu ficasse mais curiosa para conhecer o trabalho deles. E ainda bem que eu conheci! Estou apaixonada por Daytripper e agora não tenho mais desculpas para não ir atrás de qualquer rabisco em guardanapo que seja deles.

Mas vamos nos focar em Daytripper. Nessa graphic novel vamos conhecer Brás, que é um jornalista que escreve obituários e sonha em ser um grande escritor de romances um dia. Muito desse sonho foi inspirado pelo próprio pai que é um escritor renomado. Para ser sincera eu poderia parar por aqui o texto, basicamente é isso que você precisa saber sobre o Brás. “Sério que é só isso? Tanto alvoroço por causa disso?” Sim! Primeiro porque eu tenho um fraco por personagens ordinários. Gosto de ler sobre gente como a gente, personagens que amadurecem ao longo da história, que se desiludem, quebram a cara e vivem experiências intensas, mas que não são nada de mais. Adoro histórias que sabem mostrar a beleza do cotidiano. Mas Daytripper vai além.

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A primeira sacada de gênio de Daytripper é retratar o Brasil e a nossa cultura sem ficar preso aos clichês futebol-carnaval-verão-curtição-praia-samba. Lógico que algumas vezes esses elementos aparecem na história, mas são mostrados de forma muito sutil e mais encaixado na nossa realidade mesmo. Mostra o futebol ou o carnaval ou o que for, como parte do nosso cotidiano, mas não como o centro da nossa vida e da nossa cultura. Boa parte da história se passa em São Paulo e a cidade é retratada de um jeito que qualquer um que conheça um pouco de São Paulo reconhece a cidade sem que alguém conte que a história se passe ali. E não só a paisagem paulistana é muito bem desenhada, mas todas as outras cidades que os personagens passam. A vegetação, o relevo, a arquitetura é tudo muito real e muito a nossa cara. Daytripper mostra o Brasil que a gente conhece e vê todos os dias. Além disso olha o nome do personagem né? Não te lembra nenhum outro personagem também associado a morte e assuntos póstumos? E correm boatos que o Brás se parece bastante com o Chico Buarque.

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A segunda grande sacada é que vamos conhecer a história de Brás toda fragmentada e sem uma ordem cronológica. Cada pedaço da vida dele que conhecemos tem um fato muito marcante e que vai transformar a vida dele completamente. A pessoa que ele era antes desses fatos, deixa de existir e ele passa a se enxergar como outra pessoa. É como se ele morresse e desse espaço para um novo Brás nascer. E o mais legal é que veja só, o Brás trabalha com a morte todos os dias, então ele conta a historia dele baseado em todas as vezes que ele já morreu até se tornar quem ele é.  Essa ideia foi genial. Esse detalhe faz com que a história seja única e muito mais intensa.

O traço e a coloração são maravilhosos. Acho que se essa história fosse contada de outra forma não teria o mesmo impacto. As imagens são tão delicadas e tão vivas que você mergulha muito mais fundo na história.

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A graphic novel é divida em capítulos, sendo que cada capítulo mostra uma idade diferente do Brás e eu duvido que depois de ler o primeiro capítulo você consiga parar de ler.

Acho que esse quadrinho é tão forte porque todo mundo vive aquelas experiências que o Brás considera tão marcantes e isso te faz pensar se você da o mesmo valor que ele deu para essas experiências e quais outros momentos da sua vida mudaram o rumo e te transformaram em outra pessoa. É uma daquelas histórias que faz você pensar como foi que você chegou nesse ponto que você vive hoje. É uma força parecida com a que a gente encontra em Retalhos, mas acho que Daytripper vai mais fundo e é uma história muito mais madura e mais original, apesar de também se enquadrar em romance de formação.

Eu poderia falar muito mais sobre esse quadrinho, mas acho que a experiência de leitura é muito única e vai depender do quanto você abrir a sua mente e se permitir envolver com o personagem. Daytripper tem potencial para dar uma bela chacoalhada no leitor.

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5 comentários sobre “Quantas vezes você já morreu na sua vida? Daytripper; Fábio Moon e Gabriel Bá

  1. Na, também recebi muitas recomendações de Valente e acabei comprando o primeiro volume agora na Bienal do Rio e bom, depois de tudo que já me falaram e eu já li a respeito, estou morrendo de curiosidade para ler.
    Cheguei nessa resenha por causa do título, me chamou muita atenção e fiquei com muita vontade de descobrir mais coisas sobre o Brás!
    Estou tentada a comprar essa HQ por vários motivos: achei o traço e as cores maravilhosas (sou bem chata com isso), gostei da forma como nosso país é retratado (deixando de lado os clichés) e também porque sou apaixonada por personagens ordinários!!! A evolução deles é algo tão satisfatório de se participar!!
    Essa é uma recomendação que não vou deixar passar!
    Beijos e sucesso!!

    Curtido por 1 pessoa

    1. É uma delicia acompanhar historias comuns ne? Sou apaixonada também. E o Brás é um personagem muito solido e muito interessante. Depois me conta o que achou.
      E valente é uma Fofura só! E também tem muito disso de ser um adolescente como qualquer outro

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