A menina sem palavra – Mia Couto

Hoje é aniversário do moçambicano Mia Couto e vou aproveitar a oportunidade para falar sobre um livro que li há uns meses atrás e que me calou de um jeito que eu não esperava.

A menina sem palavra foi o meu primeiro contato com o Mia Couto. Peguei esse livro despretensiosamente, buscando um livro mais leve para mudar um pouco o foco das minhas leituras na época.

São 17 contos que apresentam a infância em Moçambique. Os contos são curtos e bem dinâmicos, mas o efeito deles no leitor é inexplicável.  Todos os contos são escritos com uma linguagem poética maravilhosa. Acho que nenhum outro livro 33006_ggde contos me envolveu do mesmo jeito que esse livro conseguiu. Cada vez que um conto acabava eu precisava parar um pouco, respirar e digerir o que eu tinha acabado de ler. Apesar dos contos serem curtinhos, eles são muito intensos e muito únicos. Nunca tinha lido nenhum conto parecido.

As histórias envolvem uma certa magia e inocência características da infância e despertam os mais diferentes sentimentos no leitor. Ao mesmo tempo que eu me emocionava com a força das crianças, eu também ficavam muito tensa com algumas situações. Em algum ponto dos contos parece que a esperança se perdeu, que as coisas vão dar errado e eu ficava muito apreensiva. Mas como eu falei, os contos mostram o quanto as crianças são fortes, o quanto muitas vezes os adultos subestimam essa força e também sobre a importância dos laços que criamos com as crianças.

O final dos contos é sempre meio aberto. Ficamos com a impressão que aquela historia deveria continuar, que não era hora de interromper ali. Mas também conseguimos sentir que a vida das personagens foi transformada e a partir daquele ponto vai seguir por um caminho totalmente diferente.

É muito complicado falar sobre esse livro. Foi uma leitura surpreendente que me tirou o chão. Demorei muito para digerir esse livro e mesmo depois de tanto tempo ainda acho difícil definir em algumas palavras o que esse livro significou. É sempre muito gostoso conhecer mais um autor da língua portuguesa que escreve de uma forma tão bonita, tão unica e que emociona tanto.

O livro tem 160 páginas e foi publicado pela Companhia das Letras com o selo Boa Companhia.

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