Na escuridão, amanhã – Rogério Pereira

Já aconteceu com você de terminar de ler um livro e pensar “É isso mesmo? Eu entendi certo? Acho que eu tenho que começar tudo de novo”? Há muito tempo um livro não me dava essa sensação. Na verdade, acho que nenhum outro livro fez isso comigo de uma forma tão intensa.

Esse não é um livro fofinho, não é uma história feliz, e ele despertou muitas emoções diferentes em mim, algumas até foram meio contraditórias.

O livro é narrado em primeira pessoa e vai contar a história de uma família constituída pelo Pai, a Mãe, o Filho mais  velho, o Filho do meio e a Irmã mais nova. Quem vai contar a história é o Filho do meio, mas também vamos ler algumas cartas do Filho mais velho para o Pai.

Como deu pra perceber os personagens não tem nome. Os membros dessa família não se sentem confortáveis um com o outro, eles não tem intimidade. Não saber o nome dos personagens faz com que o leitor sinta esse distanciamento que existe na família, o leitor também não consegue ser íntimo de nenhum deles.

A história é muito sombria, é pesada e é muito triste. Vamos acompanhar a mudança dessa família de uma cidade pequena para uma cidade grande, e também não sabemos o nome dessas cidades. A cidade grande é a cidade “C.” e nesse lugar a família que já era meio desconfortável, vai ruir de vez.

Se eu falar qualquer coisa além disso acho que a experiência de leitura fica prejudicada. Mas o que eu queria dizer é que apesar dessa família ser marcada por uma tragédia muito grande, o livro é muito bonito. Esse autor conseguiu escrever uma história muito poética. As frases são curtas e causam um impacto muito forte no leitor. Tem algumas frases que você lê e fica meio sem chão.

Ela sorria. Mas não era feliz. Ninguém era. Nunca tivemos talento para a felicidade. Ser feliz custa muito, e o nosso tempo já nasceu reduzido.

As frases são de impacto, mas não daquelas que você posta no facebook para impressionar os amiguinhos. São frases que te marcam, que te transformam.

O narrador não conta de forma direta o que aconteceu. Os fatos vão se revelando pouco a pouco ao longo do livro. Além disso, existem muitas lacunas. Algumas coisas são ditas meio nas entrelinhas. Enquanto você vai conhecendo os personagens e entendendo a dinâmica da família, as peças vão se encaixando e tudo começa a fazer mais sentido. E essa estrutura da narrativa traz um sentimento de angustia. Durante a leitura você mergulha na tristeza, nas mágoas e na angústia desses irmãos. É aquele livro que você tem que parar pra respirar e ir digerindo com calma a história.
E essa história é do tipo que fica com você por um tempo. O livro termina, você reflete sobre o que leu e depois de uns dias de repente se pega pensando nos personagens e no que eles viveram.

Roge¦ürio-Pereira-Foto-Guilherme-Pupo_024-1024x682Eu achei o livro genial. Me surpreendeu muito. Eu nunca li nada parecido.

Rogério Pereira é Catarinense e é o fundador do Jornal Rascunho. Esse livro é de 2013 e foi publicado pela Cosac Naify. Literatura contemporânea nacional de altíssima qualidade. Amei esse livro. O livro é super curtinho, tem 128 páginas, mas como eu falei, o incomodo que ele causa é tão grande que é difícil ler ele todo de uma vez.

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3 comentários sobre “Na escuridão, amanhã – Rogério Pereira

  1. Tbm gostei muito do livro! É exatamente isso, um livro que incomoda, te faz refletir por dias. A escrita é sensacional! Adorei a resenha!
    Isa – LidoLendo.

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