Aguapés – Jhumpa Lahiri

A cultura indiana é uma das que mais me chamam a atenção. Não conheço muita coisa, mas sempre que eu leio alguma coisa relacionada a Índia me sinto invadida por um sentimento muito gostoso. Acho que já falei um pouco sobre isso aqui no blog quando falei do livro Sidarta. Acho que essa foi a minha maior motivação para ler Aguapés.

Jhumpa Lahiri nasceu na Inglaterra, mas seus pais são indianos. Em Aguapés ela conta sobre a vida de dois irmãos que nasceram e cresceram na Índia. A princípio era isso que eu sabia do livro. Ah, também sabia que um deles ia se mudar para os Estados Unidos e imaginei que o livro mostraria o contraste cultura, mais ou menos que nem a Chimamanda fez em Americanah. Eu não estava errada, mas também não estava certa.

Download-Aguapes-Jhumpa-Lahiri-em-ePUB-mobi-e-pdfEm Aguapés vamos acompanhar Subhash e Udayan desde o nascimento até a velhice. Eles nasceram no final da década de 40 em um distrito de Calcutá chamado Tollygunge, onde na época de chuvas a região ficava alagada por causa do encontro de dois lagos.

A ligação entre eles era muito forte, e a primeira vez que se separaram foi quando entraram na faculdade. . Subhash foi pra uma universidade estudar engenharia, enquanto o irmão mais novo foi estudar física em outra universidade. Por influencia dos amigos Udayan conheceu o movimento Naxalista que se buscava uma condição mais justa pro povo indiano e se baseava em movimentos revolucionários da América Latina, com o Che Guevara e na China e com o Mao-Tsé Tung. Subhash não compartilha o mesmo engajamento político do irmão e se muda para os Estados Unidos pra fazer um doutorado.

 Seguindo caminhos muito diferentes, os dois quebram várias tradições indianas. Udayan, que sempre foi mais ousado que o irmão, choca a familia ao se casar escondido com uma moça, Gauri, que ele mesmo escolheu.

O livro é dividido em 8 partes, mas acho que podemos dividir ele em duas partes centrais.

Na primeira parte do livro o foco é o contraste social, as revoluções, enfim, o contexto politico e social. Não é nada muito aprofundado, mas vários acontecimentos históricos são citados, como a questão dos Hindus x Muçulmanos, as revoltas e situação em que viviam os camponeses da Índia, e até mesmo a guerra do Vietnã também é brevemente citada.

A segunda parte do livro é sobre as consequências da revolução. Lógico que as consequências sociais são citadas, mas o grande foco é nas consequências psicológicas da revolução.

Todo o impacto emocional e psicolgico na vida das personagens é muito explorado no livro. A gente mergulha nas perturbações, nos medos e inseguranças do Subhash e da Gauri, principalmente.

Os lagos de Tollygunge representam essa ligação que sempre existiu entre os irmãos. No inicio a ligação fisica, o companheirismo deles, depois a relação deles com Gauri. No inicio do livros os meninos conseguiam nadar e brincar nos lagos entre alguns aguapés. Com o passar dos anos, junto com a deterioração da família, os lagos se tornaram extremamente poluídos e completamente dominados pelos aguapés. Da pra fazer varias analogias ao estado emocional e psicológico das personagens do livro.

A natureza é muito marcante na historia. Sempre temos a flora e fauna bem descritas e como elementos importantes da vida dos personagens. Principalmente Bela e Subhash vão ter uma ligação muito forte com a natureza.

Eu achei uma leitura muito gostosa e muito fluida. Me envolvi muito com os personagens e por isso acabei lendo bem rápido.

A cultura indiana, as roupas, as refeições, o transporte, a dinâmica da cidade, aparecem várias vezes no livro e são bem descritos. Como já falei, eu me interesso por esse assunto então eu gostei bastante dessa parte. Também gosto bastante desses movimentos sociais das décadas de 60/70 e eu achei bem legal acompanhar um pouco sobre como era viver dentro da revolução.

Aguapés foi publicado no Brasil pelo selo Biblioteca Azul da editora Globo, tem 440 páginas e uma capa linda.

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