A vantagem das adaptações de livros para o cinema

23 de abril é o dia Mundial do livro e o Literateca não podia deixar essa data passar em branco.

Tem alguns títulos de livros muito bacanas que eu li nos últimos tempos e que ainda não falei aqui no blog mas, há muito tempo que eu não escrevo nada para a categoria Notas de um leitor. Para quem não conhece essa categoria é onde eu expresso minha opinião pessoal sobre algumas coisas relacionadas a hábitos de leitores ou sobre alguns padrões da literatura. Então por exemplo, nessa categoria tem um texto sobre o maravilhoso mundos dos e-readers, sobre acumular livros loucamente e também tem um texto, que foi um tanto polemico, sobre o perfil dos autores e de alguns personagens da literatura nacional.

Hoje eu quero falar sobre um outro tema um tanto polêmico que é o porque eu acho bacana quando um livro é adaptado para o cinema. Eu sei que muitos leitores ficam com raiva quando um filme não contempla todo o potencial do livro mas, eu realmente acho bacana quando um livro vira filme e vou explicar aqui o por que.

A primeira coisa que eu queria falar é: não fiquem bravos com as adaptações. Eu sei gente, dói quando a gente fica esperando aparecer aquela parte sensacional do livro e descobrimos que ela foi cortada do filme, ou que ela ficou muito distorcida e acabou ficando xoxa. Sei que também acontece de você ler um livro e ele ser sensacional, ai você fica sabendo que ele vai pro cinema, você fica super empolgado e quando vai assistir acha que o filme foi um belo picolé de xuxu, muito sem graça, que não fez justiça nenhuma ao livro. Mas não podemos misturar as coisas. No livro nós temos a ideia original daquele texto. No livro a historia consegue ser muito mais explorada, o autor tem muito mais espaço pra se aprofundar nos personagens, pra descrever as situações e contar vários detalhes que simplesmente não cabem em um filme. O cinema e a literatura são canais muito diferentes e as ideias são expressas de maneiras muito diferentes. A graça de um livro é brincar com a linguagem escrita, a do cinema é brincar com audiovisual. No cinema a trilha sonora, os efeitos visuais, figurino, enfim, tudo o que é relacionado a som e imagem tem um peso enorme e esses fatores não são importantes para a literatura. Quando se faz uma adaptação muita coisa sempre se perde mas, também muita coisa se ganha. Então não fiquem tão tristes e decepcionados com os filmes, a vida é assim.
Mas o que eu queria mesmo dizer é que essas adaptações tem um valor muito grande pra literatura, principalmente no contexto nacional.
Infelizmente o Brasil não é um país de leitores. A grande maioria das pessoas não tem o menor hábito de ler seja o que for. Sim, estou generalizando e toda generalização é falha, mas o que eu vejo é que muita gente não pega nenhum livro pra ler ao longo do ano, nem mesmo um HQ ou sei lá, um livro simples e curtinho que seja. Nada. Tem muita gente por ai que mal lê as noticias que compartilha no facebook. E isso é muito triste. A leitura tem um poder transformador muito grande. Os livros nos apresentam culturas diferentes, problemas e consequentemente soluções diferentes, nos mostram uma gama de possibilidades muito rica. Além disso a leitura é um ótimo exercício mental, ela favorece nossa concentração, memória e etc. Ler nos torna mais críticos, aumenta o nosso conhecimento de mundo. Tem muitos livros que são verdadeiras experiências de vida e isso é incrível. Mas no Brasil nada disso é muito valorizado.

Quando um livro é adaptado pro cinema, essa historia vai atingir um publico muito maior e levar um conteúdo muito bacana pra um numero muito grande de pessoas. Os filmes ganham muito mais destaque que os livros. E um outro efeito muito legal é que o filme desperta a curiosidade das pessoas. Por exemplo, há muitos anos atrás quando os filmes do Harry Potter começaram a passar no cinema, eu lembro que muita gente da minha escola começou a ler os livros do Harry porque ficaram super encantados com aquele universo e ficaram curiosos para mais detalhes. E se você for ver, hoje em dia muita gente gosta muito de ler graças aos livros do Harry Potter. Esses livros abriram as portas da literatura pra muita gente.
E esse efeito acontece com muitas outras obras. Eu comecei a ler Saramago, por exemplo, depois de assistir ao filme Ensaio sobre a Cegueira. Outro caso que aconteceu comigo ano passado foi ler o primeiro livro da série Maze Runner porque eu sai super empolgada da sala do cinema. Também foi assim quando li Orgulho e Preconceito, me apaixonei pelo Mr. Darcy do filme e tive que ler o livro. Vai ser assim com O Hobbit e o senhor dos anéis, enfim da pra colocar uma lista enorme de títulos que tiveram um efeito parecido mas, o post já ta enorme. O que eu queria dizer é que quando um livro é adaptado ele ganha destaque nas livrarias e passa a ser assunto entre as pessoas junto com o filme.

Se o filme é melhor ou pior que o livro, se o livro é muito interessante, se é bem escrito ou não, não interessa. Esses valores são pessoais e não vem ao caso. O importante é que essas adaptações tem um potencial enorme de criar novos leitores. Eu acho muito interessante ver tantos livros sendo adaptados e tantas pessoas se interessando cada vez mais por essas historias. Acho que toda forma de atrair mais pessoas pra literatura é valida.

Espero que a minha ideia tenha ficado clara, lembrando que esse texto é uma opinião totalmente pessoal.

Não deixe de me contar suas experiências com adaptações de livros, principalmente se você também foi um desses casos que virou leitor graças ao cinema.

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4 comentários sobre “A vantagem das adaptações de livros para o cinema

  1. A grande questão é que algumas pessoas esquecem do que o próprio produto final se chama: adaptação cinematográfica. Se você decidir adaptar alguma obra do Shakespeare para a nossa realidade certamente você incluiria um smartphone ou uma rede social na história, mas como um todo a história ainda seria a mesma. Do mesmo jeito, adaptar para o cinema é trancrever a história pelos olhos do diretor, não fazer uma cópia fiel. Eu apenas rolo meus olhos quando alguém começa a falar “que tosco meu deus odiei”. Digo, é seu direito não gostar, mas se você tivesse usado a cabeça um pouco já saberia pelo que esperar.

    Um abraço,
    Elder F.
    oepitafio.blogspot.com.br

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    1. Também acho que muito da decepção vem de esperar que o filme seja extremamente fiel. Tem toda a questão da interpretação pessoal do diretor e toda a equipe envolvida na produção.
      infelizmente não da pra agradar a todos, mas gosto que os filmes despertem a curiosidade de pessoas que nunca leram aquele livro antes.

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  2. Os livros são sagrados: “É preciso ler como se não houvesse amanhã, e ainda que eu falasse a língua dos anjos seria um livro escrito pelos homens que me elevaria as alturas até Deus”. É mais ou menos isso que eu penso que os livros são: deuses. Será que exagerei?

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