Formas de voltar para casa – Alejandro Zambra

To numa fase de conhecer coisas novas. Quero ler autores diferentes, conhecer editoras diferentes, temáticas diferentes… Enfim, quero abrir um pouco a mente.
AZ_0Nessa de procurar novos autores vi muita gente falando sobre o trabalho do Alejandro Zambra. O autor chileno ganhou o coração de muitos leitores com o livro Bonsai. Todo mundo fala muito bem desse livro, mas sempre vejo as pessoas muito divididas quanto A vida privada das árvores e Formas de voltar para casa. Resolvi se teimosa e começar por um desses dois pra saber o que deixa todo mundo assim tão dividido.

Pra quem não sabe, formas de voltar para casa conta as memorias dos tempos de criança de um cara e também conta sobre o presente dele em que ele tenta escrever um livro sobre suas memorias. A grande sacada é que a infância dele foi durante a ditadura do Pinochet e o livro vai mostrar como uma criança enxergava a situação do país e os problemas da época. Além de mostrar também as cicatrizes que ficaram na sociedade depois da ditadura acabar.

Qualquer historia que envolva ditadura já chama a minha atenção, não sei exatamente porque, mas sempre funciona.

O livro é dividido em 4 capítulos e cada um tem um enfoque muito diferente do outro.  O primeiro capitulo é sobre a infância propriamente dita. Tudo começa com um terremoto na década de 80 que causou muitos estragos e deixou todo mundo muito assustado. Os vizinhos se juntam para passar aquela noite. Nesse momento um dos vizinhos se destaca bastante porque ninguém sabe exatamente quem ele é ou o que ele faz. Só sabe que ele mora sozinho, e o personagem principal não entende direito porque um homem adulto iria morar sozinho sem família sem nada. Na noite do terremoto esse vizinho, o Raul, aparece com a irmã e a sobrinha que moravam na região e esse é o primeiro contato que o personagem principal tem com Claudia, que é a sobrinha do Raul. Com o tempo os dois se aproximam e nasce uma amizade meio estranha, baseada na investigação da vida do Raul.
Do segundo capitulo em diante o foco muda  totalmente e conhecemos o personagem principal como um adulto. O livro passa a tratar dos problemas pessoais, dos relacionamentos, da relação com os pais e sobre o livro que o protagonista está escrevendo.  Existem muitas passagens sobre a infância dele ainda, mas com uma visão muito diferente. Agora ele já tem plena consciência da situação do país e interpreta tudo o que aconteceu na infância de outra forma. Na verdade podemos dizer até que nessa parte do livro a historia passa a ser sobre saudade. Tudo na vida do protagonista ta muito bagunçado e ele passa a sentir falta da época que a vida era mais simples, que ele tinha mais controle e mais certezas do que ia acontecer.

Eu gostei muito do livro. Vi muita gente na internet falando que se decepcionou, que esperava mais da historia e tal, mas acho que é aquela coisa, expectativas sempre atrapalham. Comecei a ler o livro sem saber ao certo o que ia encontrar eFormas-de-voltar-para-casa_capa2 me encantei pela historia.

O que eu gostei foi que a escrita do Zambra é muito leve. Por mais triste que o livro seja em momento algum a leitura é pesada. Tudo é tratado com tanta delicadeza, com tanta suavidade que a leitura fica muito mais gostosa.
Além disso os personagens são muito falhos e eu amo personagens falhos. Eu gosto de personagens humanos, com seus defeitos e inseguranças, personagens com vícios, manias e tudo o que quebra a visão de protagonistas heróis e certinhos.

No geral a historia é muito rasa. Senti falta do tema ser mais trabalhado e muita coisa ficou confusa. Algumas partes do livro são meio monótonas. Ele foca muito no livro que o protagonista está escrevendo, na dificuldade pra continuar a historia e isso acaba sendo meio chato, meio sem sal.
Mas de uma forma geral eu gostei muito do livro, achei a historia muito dinâmica e muito fácil de visualizar os personagens e os cenários. Como já falei, a escrita do Zamba ganhou meu coração e com certeza vou ler Bonsai pra ver qual é que é desse livro que todo mundo gosta.

Formas de voltar para casa tem 157 paginas e eu li praticamente o livro inteiro em 2 horas enquanto viajava pra cidade que eu faço faculdade, então é um daqueles livros de uma sentada só (até porque eu sou o tipo de pessoa que le muito devagar). Foi publicado pela Cosac Naify e a edição é muito boa, papel pólen e fonte arnhem que deixam a leitura muito gostosa.

Se você já leu ou quer ler esse livro deixa aqui seu comentário contando suas expectativas ou a sua experiência de leitura.

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8 comentários sobre “Formas de voltar para casa – Alejandro Zambra

  1. Conhecer novos autores, novos livros, se aventurar em gêneros diferentes… tudo isso é muito bom, não é mesmo? E compartilhar isso com as pessoas, incentivá-las a abrir a mente e também dar vez a coisas novas é um gesto muito lindo!
    Procure conhecer também autores nacionais, conheço alguns que são simplesmente perfeitos!!
    Beijos!
    Resenhando a Arte | Fanpage

    Curtido por 1 pessoa

  2. Eu fui uma dessas que se decepcionou :/ e
    Não fui com muita expectativa, até porque nessa onda de querer conhecer coisas novas baixei mais de 60 livros e nem lembro que livro é qual, de qual autor, sobre o que, etc. Na verdade, não sabia direito do que se tratava a história a não ser que ser passava no Chile de Pinochet, então se tinha alguma expectativa era essa: também simplesmente me fascino com esse tema “ditadura”.

    Comecei a ler gostando bastante, inclusive da narrativa desconexa. Parecia que caía bem, pra quem se dizia um “personagem secundário”, contar a história de forma não tão linear, como se ela fosse de fato background history.
    Mas aí o livro foi avançando e foi me dando uma canseira braba… Também achei que empaca bastante quando o foco muda pra “vida real” e a escrita do livro. E, não sei se foi de propósito ou não (se sim, achei mal executado), mas aquela passagem onde ele fala que “distancio e aproximo o narrador. E não avanço…” (na página 118), onde ele fala sobre o livro que ele escreve, toda ela, é uma explicação muito boa pro que eu achei do livro de verdade. Enfim, achei bem perdido, e pra mim ficou faltando uma história em primeiro plano (mesmo que essa história em primeiro plano fosse pra passar essa impressão de “personagens secundários”; do jeito que é, só parece que simplesmente não tem história principal. Se era essa a idéia, não funcionou pra mim).

    Mas, de qualquer jeito, tô querendo muuuito ler Bonsai pra ver se melhora a primeira impressão hehehe!

    Beeeeijos

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    1. Eu achei que ficou faltando mais coisas sobre a ditadura. Ele podia ter feito uma historia no estilo de “o ano que meus pais saíram de férias” e explorar bem a visão da criança sobre a ditadura. Mas eu curti muita a historia do Raul e toda a trama em cima disso. Acho que o mais chato do livro é o personagem principal mesmo

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