O Irmão Alemão – Chico Buarque

Sou apaixonada pelo trabalho do Chico Buarque. Acho as letras das musicas dele incríveis e não consigo enjoar de escutar os álbuns dele. Adoro ler sobre a vida dele e me emocionei muito lendo o livro sobre a carreira dele que já citei aqui no blog (relembre o post sobre a coleção historias de canções) Acho que por gostar tanto do trabalho dele na musica eu acabo sempre esperando muito dele na literatura.
O irmão alemão foi o segundo livro que eu li do Chico, em 2011 eu li Budapeste, e nos dois casos eu acabei o livro com Chico Buarque lendo o irmão alemãoa

mesma sensação: a história é legal, o livro é bem escrito, mas por algum motivo não me cativou. Não sei dizer o que exatamente ficou faltando, mas não são historias que eu me empolguei e devorei o livro.

No caso do livro O Irmão Alemão eu fiquei muito tempo meio desmotivada por causa da incrível ressaca literária de Americanah (sério, eu amei muito esse livro). Mas acho que não foi só isso. Bom, vou parar de enrolar e falar sobre o livro de fato.

O Irmão Alemão conta a historia de Francisco de Hollander ( ou Ciccio, ou Chico) que é o filho mais novo do casal Sérgio de Hollander e Assunta.  Sérgio de Hollander tem uma paixão absurda por livros e todas as paredes da casa são forradas de livros. Livros antigos, raros, com dedicatórias, de capa dura, livros que nunca foram lidos, livros separados pra doação… enfim, tem todo tipo de livro pela casa. A mãe de Ciccio passava o dia cuidando da casa e consequentemente cuidando dos livros. Arrumava as prateleiras, buscava livros que Sério de Hollander precisava para alguma citação e etc. O irmão mais velho de Ciccio não era muito dado a leituras, ele gostava mesmo era de seduzir belas menininhas virgens e lIrmão alemão Chico Buarqueeva-las para o seu quarto. E nesse cenário todo estava Ciccio, um cara que não se encaixava direito. Ele não tinha uma relação tão próxima do pai e sempre se sentia inferior que o irmão por não se achar tão bonito e não ter tanta lábia com as mulheres. Mas Ciccio gostava muito dos livros de seu pai e sempre pegava algum pra ler. Na faculdade cursava letras e foi um calouro (não consigo gostar dessa palavra,porque pra mim é bixo) bem prepotente que gostava de levar livros autografados que seu pai ganhava de presente de renomados autores só pra ficar ostentando e se achando melhor que os amiguinhos. E nessa de sempre pegar os livros do pai pra ler ele descobre uma carta antiga dentro de um dos livros. A carta era de uma ex-namorada do pai dele e estava escrita em alemão. Nessa carta Anne Ernest conta a Sérgio que espera um filho dele. E é nesse ponto que começa a saga sem fim da vida de Ciccio. Ele começa a procurar mais pistas para localizar esse irmão alemão. Porem, esse irmão nasceu na década de 30 e logo nos primeiros anos de vida conheceu o Nazismo alemão. Ciccio encontra muitas outras cartas em que o pai se comunicava com o governo nazista para conseguir a guarda desse filho. O foco central do livro, obviamente, é essa busca incessante pelo irmão desconhecido. Enquanto alimenta mil fantasias sobre o irmão desconhecido, o irmão mais velho de Ciccio é cada vez mais ignorado e só ganha atenção novamente quando vira mais uma vitima da ditadura brasileira.

O livro não segue uma ordem cronológica muito marcada, a história fica transitando entre passado e futuro o tempo todo. Essa parte é bem bacana, você consegue acompanhar o amadurecimento de Ciccio e tem uma noção clara de quanto tempo ele investiu nessa busca pelo irmão desconhecido e também tem uma bela noção do impacto que as coisas que vão acontecendo no desenrolar da historia tem na vida dele.

O irmão alemão, como você pode imaginar pelos nomes dos personagens, tem traços de ficção e de realidade . Chico Buarque realmente teve um irmão alemão que ele nunca conheceu, fruto de uma relação que seu pai, Sérgio Buarque de Holanda, teve na década de 30 quando foi trabalhar na Alemanha. Esse jogo de realidade e ficção também deixa o livro muito interessante.

Também não podemos negar que o livro é muito bem escrito. A escolha de palavras, a estrutura do texto… enfim, tudo é muito bem trabalhado. Não tem como não reconhecer a qualidade do livro e a genialidade do Chico.

O mínimo que posso dizer desse livro é que ele é sim um livro muito bom e com um enredo bem interessante.

O livro foi lançado no final do ano passado pela Companhia das Letras e a editora fez uma propaganda pesada. Acabei ficando curiosa de tanto que eles divulgavam esse livro. Valeu a pena, mas não ganhou meu coração.

O irmão alemão tem 240 páginas e não posso falar muito sobre o projeto gráfico porque eu li no Kindle . Na verdade esse pode ser outro fator pra leitura não me prender tanto. Por mais que eu goste muito do Kindle ainda sou dependente dos livros de papel.

E pra finalizar vou colocar de novo o vídeo do Chico sobre as opiniões negativas sobre ele na internet. Sou repetitiva mesmo, mas é que esse vídeo é muito bom

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5 comentários sobre “O Irmão Alemão – Chico Buarque

    1. Siiim eu nao falei isso no texto? Acho que citei alguma coisa sobre os nomes do sergio e dp chico buarque em alguma parte. Se nao citei foi falha minha.
      Essa parte dos nomes serem os mesmos é pra evidenciar mais ainda esses traços de realidade na historia.
      No livro o Sergio de Hollander tb é um intelectual e tb escreve livros.

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