Americanah – Chimamanda Ngozi Adichie

E finalmente vou falar do primeiro livro que li esse ano: Americanah.

Eu fiquei muito ansiosa pra ler esse livro e depois que eu comecei a leitura fiquei muito ansiosa pra falar sobre ele aqui no blog.
Pra quem não conhece, Chimamanda Ngozi Adichie é uma nigeriana que ficou bem conhecida nos últimos tempos por causa de uma apresentação no TED chamada “Todos nós deveríamos ser feministas” que acabou fazendo parte de uma musica da Beyoncé. Aliás, essa palestra rendeu um ensaio muito bacana que foi publicado pela Companhia das Letras com o titulo “Sejamos todos feministas” e você pode ler a versão digital sem  pagar nada. É só procurar no site Chimamanda Ngozida Saraiva ou na Amazon.

Eu não conhecia nada da Chimamanda até o final do ano passado quando vi um vídeo sobre o livro Americanah. O vídeo me deixou bem curiosa, mas eu não esperava tanto desse livro.

Ifemelu é uma nigeriana de família Igbo que não vivia lá muito bem. Ifemelu sempre teve muitos amigos que sonhavam com a vida no exterior principalmente porque as coisas não estavam muito fáceis na Nigéria que vivia um regime Militar. Um desses amigos era Obinze, um garoto que se destacava na escola por sua personalidade e que tinha uma admiração enorme pelos Estados Unidos. Os dois vivem um romance adolescente bem intenso, mas quando vão pra faculdade Ifemelu acaba se mudando para os Estados Unidos para concluir os estudos. E é nesse ponto que o livro começa.
Depoiamericanah (1)s de morar mais de 10 anos nos Estados Unidos, Ifemelu toma a decisão de voltar para a Nigéria. A história começa com ela sentada no salão de cabeleireiro refazendo suas tranças e refletindo sobre essa decisão. Durante essa reflexão a historia volta pro passado e conta como era a vida de Ifemelu na Nigéria e sobre o romance dela com Obinze. Muitas coisas aconteceram desde que ela saiu da Nigéria e ela e Obinze deixaram de se falar.

De uma forma muito grosseira podemos dizer que o livro conta a historia de amor dos dois. Ifemelu pretende reencontrar Obinze na Nigeria, mas se sente insegura. Mas nem de longe o livro é apenas sobre essa historia de amor.
Enquanto morava nos Estados Unidos Ifemelu se deparou com uma coisa que ela nunca tinha parado pra pensar: a questão racial. Ela não se sentia negra na Nigéria, ela não se sentia diferente de ninguém e nunca achou necessário pensar na questão racial. Mas nos estados unidos ela aprendeu que existem muitas raças. Existem os brancos, os hispânicos, os negros americanos e os negros não americanos. Ela sentia uma diferença muito grande de comportamento entre esses grupos e resolveu escrever um blog sobre essas diferenças. Ela não só fala da questão racial mas também da questão da mulher, principalmente da mulher negra. Ela passa a observar as situações do cotiado, fala sobre as historias que escuta nos táxis, sobre o que ela observou em um restaurante, fala sobre o esforço que os negros não americanos fazem para se adaptar a cultura dos Estados Unidos.
Vários capítulos do livro acabam com algum texto que ela postou no blog. Essa parte é muito interessante. Depois de ler esse livro você nunca mais vai conseguir falar “Não vamos discutir sobre raças. Somos todos humanos” no dia da consciência negra. Vamos discutir raça e vamos parar de fingir que o preconceito não existe.
Ifemelu é uma mulher forte, extremamente humana, que não esconde seus defeitos e qualidades, que se aceita como ela é e tem orgulho disso. Toda essa personalidade forte transmite uma energia muito boa e faz o leitor refletir sobre vários detalhes do dia a dia que deixamos passar batido.

Americanah é uma leitura deliciosa e é um daqueles livros que vai me deixar com saudade dos personagens (sim, sou dessas que tem saudade dos personagens favoritos). Poder mergulhar na alma de personagens como Ifemelu, Obinze e Dike (que é o sobrinho de Ifemelu) é uma experiência extremamente gratificante.
O tempo todo que eu li o livro eu me sentia envolvida com eles e isso me dava uma sensação muito gostosa.
Como vocês podem perceber eu amei esse livro e vou elogiar ele pra todo mundo que for falar sobre livros comigo durante muito tempo.

Ah já tava esquecendo, Americanah vai pras telas do cinema e a atriz Lupita Nyong’o (12 anos de escravidão) será Ifemelu.

Americanah foi publicado em 2014 pela Companhia das Letras. São 513 páginas em papel pólen. Coisa linda de ler!

Se você ficou curioso com a apresentação dela no TED aqui vai o link de uma delas:

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6 comentários sobre “Americanah – Chimamanda Ngozi Adichie

  1. Eu gostei demais desse livro! Nele, a autora expõe assuntos que muitas vezes a sociedade tenta esconder, como o racismo, com a falta de representação do negro nas diversas esferas sociais. Cadê os negros nas capas de revistas? Cadê os negros nos cargos de poder?

    Já tinha lido Meio Sol Amarelo, que foi definitivo para selar meu amor pela autora, depois de Americana então… E agora estou lendo Hibisco Roxo.

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