Eu sou Malala – Malala Yousafzai

13536_ggCom certeza você já ouviu falar de Malala Yousafzai, a menina de 17 anos que ganhou o Prêmio Nobel da paz em 2014. Muito provavelmente você já ouviu o incrível discurso dela sobre garantir que todas as meninas do mundo tenham direito a educação gratuita e de qualidade. Mas você conhece de verdade a historia dessa garota? Eu não conhecia e por isso resolvi ler o livro “Eu sou Malala” uma autobiografia publicada pela Companhia das Letras.
É tão, tão difícil saber por onde começar a falar. É muita coisa envolvida nessa historia.

Primeiro porque eu acho que a gente tem uma visão muito carregada de preconceito sobre o Oriente Médio. A gente só escuta falar de guerra, de repressão, de violência. Não to falando que essas coisas não acontecem lá. Mas essas coisas também acontecem aqui. Lá a religião tem uma influencia muito forte no comportamento das pessoas. Mas isso também acontece aqui. Gosto de ler a respeito dessa região e conhecer melhor a cultura desses países pra saber como a realmente são as coisas por lá. Quebrar essa imagem de apenas terroristas e homens bomba.
Eu sou Malala começa contando um pouco sobre a historia do Paquistão, sobre o islamismo e sobre a história de como os pais dela se conheceram e como era a vida deles antes do casamento e mesmo depois de se casarem.

O pai dela Ziauddin-Yousafzai-APé uma pessoa incrível. Todo o apoio que ele deu pra ela desde o dia que ela nasceu, todo o amor que  ela diz que o pai sente por ela… é tudo maravilhoso e emociona qualquer um. Ziauddin Yousafzai é um homem muito forte que sempre sonhou em construir uma escola na aldeia em que vivia. Sonhava com todas as crianças frequentarem a escola,  terem acesso a educação de qualidade.  Malala cresceu no meio da luta por esse sonho e sua infância sempre foi dentro da escola do pai. Ela sempre gostou de aprender, sempre fez questão de se esforçar e fazer o melhor possível.
Além de contar essa parte muito pessoal da historia dela, Malala também fala sobre grupos extremistas e sobre os impactos do 11 de setembro. Desde então tudo começou a mudar no Swat, uma radio pirata chamada Mulá FM transmita mensagens extremistas que incentivavam as impedir qualquer influencia Ocidental, a tirar as menyousafzai-family-ftrinas das escolas, a impedir que as mulheres saíssem nas ruas e com o tempo esse discurso foi ganhando cada vez mais força até que o Talibã passou a controlar todo o vale do Swat. Foi um período triste, marcado por inúmeras mortes e por muita privação.
Malala e seu pai em momento algum temeram o Talibã e deram inúmeras entrevistas contanto os horrores que aconteciam no vale do Swat e dando sua opinião sobre os valores do Talibã e sobre a importância da educação.
A paz foi declarada, o Talibã foi afastado, a radio Mulá FM foi fechada, mas os lideres do Talibã continuavam soltos e continuavam dando ordens para que quem apoiasse as ideias deles continuasse lutando contra as pessoas que iam contra o talibã.
Em outubro de 2012 dois homens mascarados atacaram o ônibus escolar em que Malala estava e atiraram em 3 garotas, uma delas era Malala. Com apenas 15 anos Malala quase morreu vitima de um tiro na cabeça. Sua historia comoveu o mundo e ela recebeu muito apoio internacional. Parece até um milagre toda a sua recuperação.
É muito emocionante ler as palavras dela, saber como foi que ela passou por tudo isso.
A coragem e a determinação de Malala inspiram qualquer um. Em pouquíssimos momentos do livro IMG_20141222_175204parece que ela é só uma adolescente de 17 anos. A maturidade dela, a consciência que ela tem sobre a importância da educação fazem ela parecer mais velha.

Não sei nem o que falar sobre esse livro. Ainda estou sem palavras. Eu sou Malala foi um dos melhores livros que eu li esse ano e uma história que jamais esquecerei.
Eu sou Malala foi publicado pela Companhia das Letras em 2013 e tem 340 paginas, inclusive com fotos de Malala e sua familia.

Eu li o livro pelo Kindle mas me arrependo de não ter lido antes e nem de ter comprado a versão física desse livro. Com certeza vale a pena demais.

Um trechinho do livro:

“Muita gente no mundo muçulmano não consegue acreditar que um filho do Islã possa fazer uma coisa dessas. Minha mãe, por exemplo, diria que esses homens não são muçulmanos. Algumas pessoas chamam a si mesmas de islâmicas mas suas ações não o são.” Conversamos sobre como as coisas ocorrem por diferentes razões, sobre o que aconteceu comigo e sobre como a educação é um direito islâmico das mulheres e não só dos homens. Era como muçulmana que eu defendia meu direito de ir à escola.”

Só pra fechar de vez o post fica aqui o vídeo do discurso mais conhecido da Malala:

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2 comentários sobre “Eu sou Malala – Malala Yousafzai

  1. Esse livro mudou a minha visão sobre o Islamismo. Li no começo de janeiro e alguns dias depois, quando houve o atentado terrorista ao Charlie Hebdo, com certeza tive uma compreensão mais ampla dos fatos. Embora o terrorismo seja um ato hediondo, nada justifica o preconceito sofrido pelos muçulmanos ao redor do mundo.

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