Persépolis – Marjane Satrapi

Depois de muito pensar se começava ou não um blog sobre livros, resolvi deixar a vergonha de lado e criar o Literateca (não sei criar bons nomes, aceitem esse de coração aberto).
E o primeiro post tem que ser desse livro porque eu ainda não consegui tirar ele da cabeça.

Persépolis é uma graphic novel sobre a vida de Marjane Satrapi, uma Iraniana que viveu a revolução islamica e viu o país sofrer intensas mudanças com a chegada de um governo xiita.

A historia começa com ela ainda criança, com mais ou menos 10 anos, e conta ccapa-persepolisomo era a relação da autora com a sua familia, amigos e como ela enxergava a situação do Irã durante a revolução islamica.
Marjane nasceu em uma familia rica e politizada que conversava abertamente com ela sobre os problemas do país e as expectativas da revolução. Seus pais participavam de manifestações e levavam em casa parentes e amigos que foram presos e torturados e dessa forma Marjane conhecia o lado mais sombrio e violento da Revolução Islamica.
A influencia da família e fato de ter estudado por muitos anos em um colegio laico fizeram com que Marjane tivesse uma personalidade forte e um tanto rebelde. Conforme ela vai crescendo acompanhamos várias historias de resistência ao Islamismo Xiita.
Durante a adolescencia Marjane é mandada para a Europa onde passa por uma fase um tanto sombria. Ela se afasta muito de seus valores e da sua cultura e busca constantemente por aceitação. É uma parte um pouco mais xoxa e menos emocionante. Mas a vida na Europa faz com que Marjane aprenda muitos valores ocidentais e se acostume muito com eles. Quando ela volta pro Irã o choque é muito forte. Lá ela sofria um preconceito enorme por ser mulher e perde muito da sua liberdade.
Essa fase do livro foi a minha favorita. É muito legal ver como as mulheres lidam com a cultura Xiita. Todas as formas de resistência, mesmo as mais simples, são geniais.

Em 2007 o livro foi adaptado para os cinemas.
Meu primeiro contato com a historia foi em 2008 ou 2009, não lembro mais, quando um dos meus professores do cursinho passou o filme pra gente.  Desde então eu tinha muita curiosidade de ler o livro mas sempre deixava pra depois. Esse ano finalmente comprei o bendito livro e quando terminei meu sentimento foi de arrependimento por não ter lido o livro antes!

Apesar de todas as mortes, todas as cenas de guerra, o livro é sensacional. Marjane não escondeu seus dmarjane-satrapiefeitos e seus erros ao longo da historia e isso faz com que o livro seja extremamente humano. Na fase de adolescencia e o inicio da vida adulta ela é bem infantil e tem a autoestima extremamente abalada. Mas quem nunca teve uma fase assim? Ser jovem é errar e aprender com isso, é rever e desconstruir nossos valores.
Além disso é demais acompanhar toda a mudança cultural no Irã e ver como muitas mulheres resistem ao sistema. Algumas são mais ousadas, outras protestam de formas mais simples, mas são todas muito corajosas considerando o quanto a repressão lá é grande. Pra quem se interessa por feminismo eu acho que o livro é bem interessante. Esse não é o foco principal da historia mas acaba sendo bastante abordado.
Também é bem legal ver todo o choque na cabeça dela quando ela começa a aprender mais sobre a cultura do ocidente. A fase em que ela morou na Europa teve uma influencia enorme na personalidade dela e é bem interessante todas as discussões dela sobre esse choque entre os novos valores ocidentais e os valores tradicionais do Irã.

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Persépolis com certeza me marcou muito. É uma leitura facil, rapida e que faz você rir muito e se emocionar.

O livro foi publicado pela Quadrinhos na Cia e tem 352 paginas.

Pra quem ficou curioso com o filme, segue o link com o filme completo e legendado no youtube
https://www.youtube.com/watch?v=5Q_WXPXq-WM

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3 comentários sobre “Persépolis – Marjane Satrapi

  1. Na,
    Essa Hq também me marcou muito. é muito importante que nós ocidentais precisamos perceber que não somos os centros do universo. Gostei bastante da sua resenha! O fato da autora escrever sobre os fatos também me pareceu mais humano.
    Beijos!

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    1. Oi Anna, que bom que gostou do post, eu gostei demais do que você escreveu sobre o quadrinho.
      Acho que o mais legal de Persépolis é que encontramos outro ponto de vista sobre o Irã e como as pessoas vivem por lá. Gostei bastante também.
      Te falei de bordados né? Quero muito ler, gostei do modo com a Marjane retrata a realidade dela.

      Beijos

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